Bruno Rodrigues Martins leva tradições de Santa Maria da Feira a Seul
Práticas comunitárias, património cultural e saberes ancestrais. São três dos eixos identitários da região de Santa Maria da Feira, com as especificidades próprias de um território que se enquadra entre a serra e o mar, e que agora se dá a conhecer no outro lado do mundo. Seul, capital da República da Coreia, vai acolher a exposição serramar do artista audiovisual Bruno Rodrigues Martins.
A mostra é inaugurada a 23 de abril e decorre até 1 de maio, como resultado de uma residência de Bruno Rodrigues Martins no concelho entre 2024 e 2025, onde o artista conduziu uma investigação que acabou por resultar numa exposição audiovisual imersiva com base em três expressões vivas da identidade territorial.
Uma delas é a arte xávega, técnica de pesca milenar ainda hoje praticada. Outra, uma receita de pão com 500 anos que continua a ser consumida no dia a dia da comunidade, e a que se segue um método agrícola de criação de cogumelos enraizado nos tempos da natureza, onde o crescimento acontece com espaço e liberdade. “Através de uma residência artística, foi possível perceber como certas práticas culturais, agrícolas e comunitárias se mantêm vivas apesar da passagem dos séculos”, revela o artista em nota divulgada à imprensa. “São saberes que resistem ao tempo, às intempéries e às mudanças humanas ou naturais, e que continuam a fazer parte do quotidiano”, acrescenta.
Qualidades espaciais
Natural de Guimarães e sediado em Braga, Bruno Rodrigues Martins, desenvolve o seu trabalho entre a instalação e a performance ao vivo, explorando as dinâmicas que se estabelecem entre imagem, som, luz e espaço. Tudo parte da captação e manipulação registos audiovisuais para explorar formas de presença emergentes da experiência pessoal e comunitária.
Por isso a investigação de campo foi conduzida com uma abordagem técnica e artística, sempre com o objetivo de preservar a materialidade, as qualidades espaciais e o ritmo natural destas práticas. Algo que já fez noutros projetos de longa duração e em residências artísticas espalhadas tanto pelo território nacional como pelo internacional, em associções como o gnration (Braga) ou Córtex Frontal (Arraiolos) e locais como Lanzarote ou Clermont-Ferrand.
Do material recolhido nasceu então a serramar, uma instalação vídeo em multicanal que se divide em três vídeos dispostos no mesmo espaço. Apresentada pela primeira vez em abril de 2025 no Castelo de Santa Maria da Feira, o projeto parte agora para a sua primeira apresentação internacional na Sahng-Up Gallery, em Seul, com o objetivo de cruzar culturas e abrir pontes entre o património português e o público asiático. Entre os apoios, contam-se a Embaixada Portuguesa na Coreia e os municípios de Braga e Santa Maria da Feira.
Além desta exposição em Seul, o cofundador do Coletivo Kindergarten tem ainda uma nova criação a ser preparada para apresentação em Barcelona.