"Ansiedade climática" existe e pode incentivar hábitos mais amigos do ambiente

Sentir-se afetado pelas alterações climáticas pode aumentar a probabilidade de adotar comportamentos mais sustentáveis. Um estudo da Universidade de Coimbra destaca a importância das emoções na forma como as pessoas respondem à crise climática. 
Redação
Redação
13 abr. 2026, 08:00

Sentir-se preocupado com as alterações climáticas pode ser desconfortável, mas também pode ser um empurrão para mudar comportamentos. É essa a principal conclusão de um estudo liderado pela Universidade de Coimbra, que mostra que as emoções têm um papel mais importante do que se pensava na forma como reagimos à crise ambiental.

O estudo, desenvolvido no âmbito da linha de investigação em Psicologia das Alterações Climáticas do Instituto de Psicologia Médica da Faculdade de Medicina da UC (FMUC), analisou mais de 500 adultos portugueses e chegou a uma ideia simples: quem sente mais ligação à natureza, empatia ou preocupação com os outros, tende a agir de forma mais sustentável.

Mas há um detalhe interessante: não são só essas características que contam. O que as pessoas sentem em relação às alterações climáticas também faz diferença.

Segundo os investigadores, um nível moderado de preocupação ou até algum desconforto emocional pode funcionar como motor de ação. Ou seja, quando o tema “mexer” connosco, é mais provável que passemos à prática: reduzir consumos, escolher transportes mais amigos do ambiente ou apoiar medidas ecológicas.

Mas há um limite. Quando a ansiedade ou o sofrimento se tornam demasiado intensos, o efeito pode ser o contrário e, em vez de motivar, bloqueia. Nesses casos, o peso emocional acaba por dificultar a ação e até o dia a dia.

O estudo,  coordenado pelas investigadoras Ana Telma Pereira e Carolina Cabaços, ajuda assim a perceber melhor como as pessoas reagem à crise climática e deixa uma pista importante: comunicar sobre o tema não deve passar apenas por alarmismo. Estratégias que reforcem a ligação à natureza, a empatia e emoções mais construtivas podem ser mais eficazes a mobilizar mudanças reais, sem gerar um sofrimento excessivo.

A equipa acrescenta que estas conclusões podem ser úteis não só para campanhas ambientais, mas também para áreas como a saúde mental, ajudando a encontrar um equilíbrio entre informar, sensibilizar e agir.

O Instituto de Psicologia Médica da FMUC tem vindo a dedicar-se ao estudo da psicologia das alterações climáticas, o ramo da psicologia que investiga os comportamentos e processos psicossociais relacionados com a crise climática e envolvidos na sua mitigação e adaptação.